Evangelização

Os diversos significados e missão da pastoral da educação da fé


Introdução:


Nem tudo o que aqui vais ler, é dogma de fé, no entanto é fruto de uma reflexão cuidada, tanto quanto possível, e baseada, não apenas da leitura dos documentos propostos aqui e agora: Dei Verbum e Deus comunica-se, mas e sobretudo, de uma assimilação ao longo do tempo, da formação recebida e partilhada, na obra da pastoral em que estou inserida: a catequese.
Estou aberta a novas aprendizagens e desaprendendo, reaprender com novos conceitos e saberes. Não a mensagem já que essa é imutável e sempre actual, mas a forma de a transmitir, adaptando-a ao seu destinatário.

A REVELAÇÃO


A Revelação é o dom que Deus faz de si ao homem.
Como a própria palavra “Revelação” o sugere: Deus tira o véu.
Este dar-se a conhecer do nosso Deus e Criador é um Dom, dádiva essa que acontece progressivamente ao longo da história.
Serve-se de homens: patriarcas, profetas, Reis e do Seu próprio Filho como plenitude dessa manifestação de Deus e Sua vontade ao homem que Ele quer salvar.
Hoje continua a Revelar-se através da Sua Palavra na Bíblia, Tradição e Magistério, sendo pois a Igreja o seu “fiel” depositário. É a ela que cabe através dos tempos e da história, tornar essa mensagem compreensível e capaz de ser acolhida, pelo homem concreto de cada tempo.
A Igreja é pois sinal e presença de Cristo no mundo, assistida pelo Seu Espírito de sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.
É pois o Espírito que renova e actualiza a Igreja do qual Cristo é o fundador e cabeça, movendo-nos a ser testemunhas do seu amor pelos homens.
Torna-se cada vez mais urgente, que cada cristão se sinta parte activa deste anúncio, de Deus ao mundo actual. É urgente no tempo em que vivemos que aconteça pois a inculturação. Isto é tornar possível a coabitação da fé com a cultura. Esta atitude, é prioritária na acção da Igreja: adaptar a mensagem ao destinatário, ao seu contexto cultural, histórico, familiar e social, para que a fé, faça parte integrante da sua vida e possa assim ser vivida na autenticidade, em vista ao enraizamento da mesma fé de sempre, na cultura e tempo actuais.
Não se fazendo esta reflexão séria e profunda, corremos o risco de, cada vez mais, a fé estar distante da vida. E por conseguinte não se manifestar nela.
Urge pois: escutar ver e partilhar a vida daqueles a quem queremos anunciar a mensagem Cristã, para que possamos fazer essa adaptação da mensagem na fidelidade a Cristo e à Igreja, e aqueles que desejamos inserir nela.
Diz a canção: “O próximo é quem se aproxima de nós”.
Então se quero ser, estar próximo de alguém, (e só nos escuta quem tem proximidade connosco), tenho forçosamente de me baixar, pondo-me ao seu nível, de ir ao encontro, seguindo a pedagogia do próprio Deus: Samaritana, Zaqueu, Discípulos de Emaús, Grupo dos doze, etc.
Julgo ser esta lacuna verificada na nossa catequese: desconhecimento do catequizando, seu meio escolar, familiar, religioso…que leva a que os frutos do nosso Evangelizar, demorem a ser notados, ou talvez não estejamos mesmo, a conseguir chegar à vida dos destinatários da Mensagem Salvadora de Jesus.
Outra razão desta descristianização do nosso tempo, é sem sombra de dúvida, o que se verifica em tantos de nós: incongruência entre o que se acredita (ou diz acreditar) e o que as atitudes demonstram. Divórcio entre fé e vida. O testemunho é o modo mais eficaz de Evangelizar.
“ O mundo escuta os mestres mas segue as testemunhas, e se segue aqueles é porque são também testemunhas”.
De facto a fé deve levar a uma comunhão com Deus e os irmãos, ou, com Deus nos irmãos.
A fé responde à vida e a vida responde à fé.

FASES DO PROCESSO EVANGELIZADOR

- KERIGMA - Primeiro anúncio.
- INICIAÇÃO CRISTÃ.
É nela que a catequese se insere.
Desta etapa da Evangelização, faz também parte a Liturgia. E se quando eu, e talvez cada um de nós, fez a sua iniciação cristã, era uma certeza a inserção na comunidade, participando assim nos actos litúrgicos, hoje não acontece assim. Daí a necessidade da preocupação kerigmática na catequese de iniciação, em crianças. E venha o Catecumenado! O projecto Esperança! Ou catequese inter-geracional! Pois quem deveriam estar a ser catequizados, eram os pais, para depois fazerem o primeiro anúncio, ensinando a rezar e estar em comunidade.
Mas enquanto disso não estiverem conscientes, todos os responsáveis pela organização da Pastoral nas paróquias, cabe à catequese, a preocupação com a primeira evangelização.
Também ela se realiza por fases, adaptando assim a mensagem ao, entendimento do catequizando. Além disso tem objectivos concretos para cada grupo (ano) e tarefas muito próprias na complementaridade de todo o percurso catequético: favorecer o conhecimento da fé, educar para a liturgia, dar uma formação moral, ensinar a rezar, educar para a vida comunitária e iniciar à missão.
Estas tarefas devem ser realizadas, ao longo do tempo em que o catequizando estrutura a sua adesão ao Senhor Jesus, tendo em vista uma profissão de fé personalizada de cada catequizando, de forma a que este, seja um discípulo de Jesus Cristo, no meio onde se move e vive, de forma viva consciente e responsável.
É com a realização das tarefas que se alcança este objectivo: levar cada catequizando a fazer a sua profissão de fé, de forma viva, explícita e operante. E atingido este, que se alcança a finalidade última da catequese e de toda a acção evangelizadora da Igreja: pôr cada indivíduo, não apenas em contacto, mas em comunhão e intimidade com o Senhor Jesus.

PASTORAL


A Pastoral responde ao processo de formação permanente, necessária a todo aquele que quer dar a si e ao mundo, as razões da sua fé ao logo de toda a vida.
Se tem essa preocupação há-de também ele, procurar ser apóstolo, exercendo uma missão concreta adequada às suas capacidades e características, pondo a render os talentos recebidos, de forma gratuita, na evangelização em cooperação com a comunidade em que esteja inserido.
A acção de pastorear que cabe, aos sucessores dos Apóstolos: os Bispos, ao clero mas também aos leigos, tem a sua origem na ordem dada por Jesus a Pedro: “Apascenta os meus cordeiros”.

PALAVRA DE DEUS E PASTORAL


A Palavra de Deus é, ou deve ser, a fonte de toda a pastoral.
Todo o cristão tem de ser missionário. É uma missão intrínseca ao seu ser baptizado. Tornámo-nos no momento em que fomos ungidos: sacerdotes, profetas e reis, porque participantes dessas características, da “videira” na qual fomos enxertados: Cristo Jesus. É necessário uma preparação constante para a missão, conhecendo bem a Palavra de Deus, e apoiado embora nas ciências da comunicação, deixarmo-nos guiar pela Teologia.

PROMOVER UMA EXPERIÊNCIA DE DEUS




Se tudo isto se realizar então, teremos conseguido que cada um dos que se cruzam connosco, faça, de facto, uma experiência de Deus. A imagem que muitos têm de Deus é muito negativa. Não era só Saramago que achava que Deus era cruel, ciumento, vingativo… Temos pois a missão de ser no mundo. Uma oferenda agradável a Deus, anunciadores e denunciadores e governando-nos e governando, na ordem temporal e espiritual, tornamos o mundo mais humano e portanto, mais do agrado do Seu Criador. Temos, sem qualquer margem para dúvida, de testemunhar aos homens, com convicção e alegria, a razão da nossa fé, e da nossa esperança, com o amor que pomos nas atitudes e gestos que praticamos, para que eles “vendo as nossas boas obras glorifiquem o Pai que está nos Céus”.
“A fé sem obras é morta”.
“Mostra-me a tua fé sem obras, que eu pelas obras te mostrarei a minha fé”.
Que seja assim comigo, contigo e será com todos os que quiserem aderir a esta onda: ser de Cristo, sendo solidário com todos e renunciando a ser solitário, egoísta, acomodado e conformado com o mundo em que vivemos. Ser sal e fermento na massa, luz nas trevas, apontando para Cristo como ponto de referência.
Tendo sempre a Palavra de Deus como resposta aos anseios do coração.


IMPLICAÇÕES PASTORAIS


É urgente que cada um de nós com seus dons e carismas, ajude na Nova Evangelização para que se passe do fazer porque é tradição = costume, para um questionamento constante das nossas práticas religiosas, e da nossa fé. A tradição ainda hoje se mantém em coisas sem nenhum sentido. Isto é cumpre-se essa tradição sem questionar se respondem ao homem de hoje. Tradições que tiveram o seu sentido noutro contexto mas que hoje, se não nos ajudam a viver de forma mais estreita a nossa relação com Deus, sendo apenas ritos vazios de sentido, deveriam ser postos de lado, ou purificadas pela adequação ao tempo e cultura em que vivemos. Deus quer que sejamos santos, mas a santidade não consiste em ser “anjinhos” dentro da Igreja e demónios nas relações com os outros, na vida em que nos é dada a oportunidade de viver o que conhecemos e acreditamos. Infelizmente a prática cristã, de muitos da minha geração e sobretudo os mais velhos, resume-se à participação em, actos de culto, procissões, romarias e festas: Celebrar. O conhecer e viver fica para os padres.
E é uma das causas das gerações mais jovens, se afastarem da comunidade, por não se identificarem com ela.
. Se é verdade que ainda existe em muitos a ideia de que o Padre é que manda, e nós os leigos obedecemos, temos de partir para uma nova mentalidade, de que somos todos co-responsáveis pela vida da comunidade e seu avanço, na direcção certa: Cristo.
O Pároco na minha opinião não é o dono da verdade em tudo. E tem de ouvir os leigos e dar-lhes as tarefas que lhe cabem. O Fiel leigo como diz a canção precisa “ter voz, ter vez, lugar”…A Igreja és tu, sou eu, são todos aqueles que seguem Cristo e os seus ensinamentos, na fidelidade ao Magistério e em cooperação com os sacerdotes que, até por serem cada vez menos, têm necessidade de ser ajudados, mas não dispensados.
É outra realidade que tenho notado: perante as dificuldades em se relacionarem com os pais das crianças da catequese e para, não ouvir, o que eles têm a dizer, evitando aborrecimentos, delegam nos coordenadores da catequese todo o contacto com eles, reuniões, preparação de festas…
Nem oito nem oitenta!
Mas parece-me que alguns padres têm pouca preparação para saber lidar com a opinião contrária à deles, e gerir conflitos de forma adequada, aproximando-se e aproximando de si os paroquianos e não repelindo, com seu nervosismo e teimosia, quantos tentam uma colaboração mais efectiva, na vida da paróquia e na formação do povo de Deus.

CONCLUSÃO

É, no meu entender, urgente a aceitação por parte dos sacerdotes, de que o leigo não é apenas o destinatário, mas também agente da Pastoral.
Assim como é imperioso que o leigo não ultrapasse o sacerdote, exercendo a sua acção à rebelia deste. Uns e outros devem trabalhar/evangelizar em conjunto e sem qualquer constrangimento de parte a parte.
Cristo precisa de todos e unidos nesta importante tarefa de transmitir ao mundo a Palavra que é Ele mesmo, de forma dinâmica e íntegra. Mas não descorando o contexto em que vive o destinatário da mensagem.